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Ainda sobre as eleições – artigo de Murilo Rocha

Por Redatores da Turma do Chapéu

Pela primeira vez em 20 anos, o PT estará fora da prefeitura de Belo Horizonte. A saída dos petistas que romperam com o prefeito Marcio Lacerda se deu principalmente por causa da bem avaliada gestão do atual prefeito, mas também de erros estratégicos de um partido que resolveu trair uma administração aprovada.

Eleições 2012 em Belo Horizonte

Ainda sobre as eleições

Murilo Rocha

O TEMPO, 11/10/2012

As análises sobre a derrota e, consequentemente, a saída do PT da Prefeitura de Belo Horizonte depois de 20 anos na administração municipal ainda vão ecoar dentro e fora do partido por muito tempo. As primeiras conclusões surgiram antes mesmo do resultado das urnas: a aliança de 2008 com o PSDB foi um erro, e a ruptura, às vésperas do início do processo eleitoral, talvez tenha sido uma decisão pior ainda. Os discursos pós-derrota destacando a recuperação da identidade da sigla na capital mineira, a retomada da militância e a volta do “velho PT” soam mais como um analgésico com prazo de validade para suportar a enorme ressaca eleitoral.

A eleição em Belo Horizonte, incluindo-se aí a da Câmara de Vereadores, merece uma reflexão para além da política de alianças. A Belo Horizonte de 1992, quando Patrus foi eleito prefeito da capital, dando início à era PT na cidade, não existe mais. A classe média intelectualizada e os trabalhadores politizados, capazes de mobilizar seus pares e decidir uma eleição, foram reduzidos, sendo parte empurrada para cima, e outra parte, para baixo da pirâmide social. Esse nicho tradicionalmente eleitor do PT foi pulverizado porque ascendeu economicamente, se desligando de um ideal partidário, ou porque foi achatado, com perda do poder de consumo.

Em julho deste ano, quando Patrus foi lançado candidato às pressas como o único nome capaz de derrotar o atual prefeito, Marcio Lacerda (PSB) – apoiado por Aécio Neves (PSDB) -, o partido contava justamente com esse antigo eleitor de 20 anos atrás. E decepcionou-se. O PT mudou; Belo Horizonte mudou; o eleitorado mudou; mas a campanha de Patrus não se deu conta disso e foi em vão em busca de um passado morto e enterrado.

De repente, o PT em Belo Horizonte parece ter tomado um susto com a mercantilização da relação entre candidato e eleitor, com o pragmatismo das alianças, com a falta de uma posição definida dos candidatos em campos políticos. Ironicamente, o partido não soube como agir diante de um cenário do qual ele mesmo aceitou participar e incentivar a partir de 2002, quando o Lulismo suplantou qualquer resistência dentro do PT à ideia de se perpetuar no poder a qualquer custo. Patrus criticou o pragmatismo eleitoral do rival, o qual foi praticado pelo seu próprio partido com grande competência em nível nacional.

Marcio Lacerda venceu em oito das nove regionais. Só perdeu na regional Nordeste. O prefeito teve votação expressiva nas classes mais ricas, mas também nas mais pobres. Somam-se a isso cerca de 15% de votos nulos e brancos e 18% de abstenções. Ou seja, entre quem esteve disposto a votar em um candidato, a maioria preferiu ficar acomodada, porque gosta da atual gestão ou porque não vê uma alternativa melhor. E é justamente esse o ponto de partida de reflexão para o PT na capital. O partido não se apresenta mais como algo diferente.

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Aécio 2014: presidente Dilma e a vitória de Lacerda. PT deu as costas para Minas mais uma vez, senador foi decisivo nas eleições em BH.

Aécio Neves 2014 e a presidente Dilma

Fonte: Jogo do poder

 Aécio 2014: presidente Dilma e a vitória de Lacerda

Aécio 2014: presidente Dilma e a vitória de Lacerda. PT deu as costas para Minas mais uma vez, senador foi decisivo nas eleições em BH. Foto Veja.com

Onde estava Dilma quando Aécio a derrotou em BH?

O PT tenta um ar blasé para minimizar a constatação de que Aécio Neves foi decisivo para que a PBH, depois de 20 anos, deixasse de ser a casa do PT em Minas Gerais.

Além da derrota no voto popular para Marcio Lacerda e o grupo do senador Aécio Neves, líderes de um grupo político que defende a gestão pública eficiente e transparente, a eleição para aPrefeitura de Belo Horizonte também deixou uma dezenas de questionamentos ao PT sem que o partido respondesse: “O PT foi oposição ou fez parte do Governo Marcio Lacerda em seu primeiro mandato?”; “Se Lacerda foi um prefeito ruim, como a campanha de Patrus pregou, por que o partido não tomou a decisão institucional de deixar os cargos que ocupava na prefeitura bem antes do embate eleitoral?”; “Por que Patrus, quando conselheiro da PBH na Gestão Marcio Lacerda, não fez as mesmas críticas que trouxe à tona durante a campanha eleitoral?”, entre outras indagações.

A principal delas, que, inclusive, a “mineira” Dilma Rousseff poderia ajudar seus conterrâneos do PT a responder:Aécio Neves foi responsável pela separação de Marcio Lacerda do PT e, consequentemente, de sua vitória sobre o candidato petista?”.

No início da campanha eleitoral, os petistas acusaram Aécio de tramar o rompimento do prefeito Marcio Lacerda com o PT, mesmo sendo público e recorrente o espernear do vice-prefeito petista, Roberto Carvalho, ao ponto de abrir críticas públicas à administração municipal, com o claro intuito de lutar por uma candidatura própria de seu partido.

Naquele momento, a tese de rompimento com a administração municipal, defendida por Roberto Carvalho, saiu vitoriosa. E em tom irônico, o PT creditava ao prefeito Marcio Lacerda a decisão de se aliar ao senador Aécio Neves e ao PSDB.

Foi preciso encomendar visitas-relâmpago do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma a Minas Gerais para reforçar a imagem de que foi Lacerda quem se afastou do PT e buscou em Aécio apoio para se reeleger prefeito.

Agora, derrotados, com Lula e Dilma de costas mais uma vez para Minas Gerais, os petistas tentam um ar blasé para minimizar a derrota e a constatação evidente de que o senador Aécio Neves foi decisivo para que a Prefeitura de Belo Horizonte, depois de 20 anos, deixasse de ser a casa do PT em Minas Gerais.

Mesmo estando apenas poucas horas em Belo Horizonte durante os três meses da campanha eleitoral, o tempo foi suficiente para que a presidenta Dilma não precisasse deixar Minas Gerais para perceber que o senador Aécio Neves a derrotou ao levar Marcio Lacerda à reeleição.

Para sua sorte, Dilma vota em Porto Alegre.

Aécio Neves 2014Link do artigo – http://www.jogodopoder.com

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Liderado por Aécio Neves, PSDB bate o PT em Minas

Publicado por Queremos Aécio Neves Presidente

Passados os primeiros momentos de perda de consciência e das pernas bambas, condição muito comum aos boxeadores que levam um cruzado direto na ponta do queixo, os petistas voltaram à internet no início da semana para fazer mais do mesmo: tentar endeusar o ex-presidente Lula – como o grande vencedor das eleições – e diminuir a importância das vitórias políticas e eleitorais no campo da oposição.


Infelizmente, no caso de Belo Horizonte e Minas Gerais, não há como esconder o peso da vitória do PSDB, em especial do senador Aécio Neves.

Aécio enfrentou, ao lado do prefeito Márcio Lacerda, a força máxima do petismo mineiro e nacional e conquistou uma das mais importantes vitórias em uma eleição em Minas.

Foram derrotados no último domingo o ex-presidente Lula, a presidente Dilma, o ministro e ex-prefeito Fernando Pimentel, os ex-ministros Luiz Dulci e Nilmário Miranda, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, o ex-governador Newton Cardoso, o vice-prefeito, Roberto Carvalho, e um grupo estimado de 900 lideranças petistas que continua, há 20 anos, encastelado na própria prefeitura.

Além de ter derrotado todo o aparato auxiliar do petismo em Minas, como a CUT e seus sindicatos filiados, as legendas partidárias agregadas, como o PCdoB, e os seus marqueteiros milionários.

Mas não foi apenas o resultado da eleição para a prefeitura de Belo Horizonte que pode ser comemorado por Aécio. Cerca de 80% dos prefeitos eleitos são da base
do governo estadual.

Proporcionalmente, o PSDB foi o partido que mais elegeu prefeitos e vereadores em Minas, com 142 prefeituras e com 229 cadeiras nos legislativos municipais. O segundo lugar ficou com o PMDB, com 117 prefeituras e 218 vereadores. Somente em terceiro lugar vem o PT, com 114 prefeitos eleitos e 191 vereadores, mesmo tendo nas mãos a máquina do governo federal para impulsionar as suas candidaturas.

O PSDB ganhou a disputa e tirou o PT das administrações de cidades importantes como Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com candidatura própria, e Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri e Varginha, no Sul de Minas, integrando as chapas vencedoras em outras cidades que eram redutos petistas no estado há vários anos. O ultimo resultado dessas eleições confirma a escolha que os mineiros vem fazendo nos 10 últimos anos e que vem dando a vitória inequívoca ao projeto defendido pelo PSDB.

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