Um adolescente de 18 anos, que está acautelado no Centro Socioeducativo de Sete Lagoas (CSESL), não imaginava que era durante o cumprimento da medida que ele retomaria os primeiros passos para realizar o sonho de se tornar jogador de futebol. O garoto, que se destacava durante as práticas esportivas dentro da unidade e foi artilheiro das Olimpíadas do projeto SuperAção no ano de 2011, das quais participam equipes de todos os centros socioeducativos de Belo Horizonte e Região Metropolitana, faz parte da equipe júnior do Democrata Futebol Clube e, como todos os outros jogadores, treina diariamente, com segurança e disciplina.
“Jogo bola desde pequeno, meu sonho era ser jogador”, lembra o adolescente. Antes de cumprir medida socioeducativa ele chegou a jogar nas equipes juvenis de dois times grandes, mas acabou recuando. “Comecei a me envolver com coisa errada e fui afastando, não dava mais importância pra isso. Depois, o agente foi atrás dessa oportunidade para mim. Eu não imaginava que isso poderia acontecer”, comemora.
De acordo com a diretora geral do Centro, Ludmila Coelho Diniz, o agente socioeducativo Wesley Martins viu que era importante resgatar a ligação do adolescente com o esporte e o levou para fazer um treino na equipe setelagoana. “Não é só pelo talento, mas porque o esporte é uma saída pra ele. Ele já coloca a atividade como uma oportunidade super importante que está tendo aqui dentro, que pode realmente mudar a vida dele”, disse a diretora.
Mudanças
O adolescente ainda não disputou nenhuma partida pelo Democrata, pois o Campeonato Mineiro de Juniores já estava em curso quando ele começou a treinar, mas vai ao campo assistir aos jogos e torcer pelo time. “Fico ansioso para começar a jogar e ajudar o time”, disse.
Enquanto os jogos não vêm, os treinamentos seguem a todo vapor, de segunda a sexta-feira e trazem progressos indiscutíveis ao adolescente que, além de se considerar muito mais “enturmado” agora, pouco mais de quatro meses após o início dos treinos, enumera outros benefícios da nova atividade. “Aqui eu vou fazer novas amizades, esquecer da rua e do que eu já aprontei. Também vou mostrar para os meus colegas que não é porque eu estou preso que tudo acabou”, disse.
Quando terminar o cumprimento da medida, o garoto não sabe exatamente qual será o seu percurso, mas sabe exatamente para onde não vai voltar. “Esporte e crime são duas coisas totalmente diferentes, não funcionam juntas. Quando sair, quero continuar no futebol para ver até onde vai, mas se não der certo, arrumo um serviço. Não posso desistir. Estar longe de tudo pelo que já passei é uma grande vitória”, ensina.
